samedi, novembre 05, 2011

18:43

 Era uma vez duas raparigas, muito diferentes uma da outra. Uma tinha uns lindos olhos azuis e um brilhante cabelo loiro, outra, pelo contrário, tinha uns grandes olhos castanhos e um encaracolado cabelo escuro. Psicologicamente, eram tão diferentes como o azul é do amarelo.  Uma gostava mais da noite, outra do dia. Uma gostava mais do sol, outra da chuva. Uma adorava correr, outra preferia ficar sentada, a apreciar a natureza, mas, por serem tão diferentes completavam-se uma à outra.
Conheceram-se quando ainda eram muito novas, apenas com 3 anos de idade. Brincavam, cantavam, riam juntas e sonhavam com um futuro onde nunca se separassem. Naquela altura não se chateavam, nem deveriam saber o que isso era, era tudo perfeito, ainda não tinham problemas, ainda não tinham responsabilidades.
Com a entrada na pré-escola, nada mudou, andavam sempre juntas. No Inverno, como moravam perto uma da outra, juntavam-se, um dia em cada casa. A avó da rapariga de cabelos escuros acendia a lareira e preparava biscoitos com chocolate e fazia chá para elas beberem. E as raparigas brincavam com as bonecas e viam desenhos animados. Quando choviam, iam para junto da janela e ficavam caladas, a apreciar o som da chuva. Estes dias pareciam tristes para toda a gente, mas para elas, era  bem alegre, pois estavam juntas, e isso era o mais importante.
Quando começava a primavera, ambas começavam a ter saudades dos dias à lareira a ver desenhos animados, mas essa saudade logo passava quando sentiam a liberdade de poder correr pelos campos floridos com malmequeres. Brincavam à apanhada e sabiam quando era a hora de ir para casa quando viam o sol a pôr-se no horizonte  e a lua a aparecer, para dar beleza à noite.
 E passou assim a época mais feliz da vida delas...
Com a entrada na escola básica, conheceram uma nova pessoa, e passaram a ser as três as melhores amigas. Defendiam-se umas às outras, faziam desenhos das três e nos intervalos andavam sempre as três juntas. A rapariga de cabelos loiros e a rapariga de cabelos encaracolados já não passavam tanto tempo as duas sozinhas, mas a amizade que elas tinham continuava a mesma.
E quatro anos passaram, nova escola, tudo muito diferente. Os problemas começaram a surgir, já eram pré adolescentes, começaram a haver grupinhos e naquela altura as raparigas chateavam-se por tudo e por nada. Várias vezes discutiram, várias vezes se insultaram, várias vezes juraram nunca mais perdoar, mas no final ficavam sempre amigas, pois a amizade era mais forte do que tudo e todos.
Quinto, sexto ano passaram, e ambas tinham de fazer uma escolha: em que escola ficar.
A rapariga de olhos azuis, pequenina e muito mais insegura que a de olhos escuros, escolheu ficar na mesma escola (para fazer o 7, 8, 9) enquanto a outra, tímida, mas mais corajosa, desejava conhecer novos horizontes, mudou de escola, onde havia pessoas muito mais velhas que ela (7, 8, 9, 10, 11, 12).
Durante três anos raramente se viam, conheceram novas pessoas, fizeram novas amigas, confiavam os seus segredos a outras pessoas, não contavam novidades, era como se tivessem seguido por caminhos diferentes, como se nunca se tivessem conhecido. Mas lembravam-se sempre uma da outra, visto que tinham trocado pulseiras, e usavam-nas todos os dias.
Mas no 10 ano, voltaram-se a encontrar, na mesma escola, os caminhos juntaram-se, riam-se e lembravam recordações do passado, como tudo era tão fácil e belo. Bastou um mês para que tudo voltasse a ser como era antes, sempre juntas, inseparáveis. Ambas já se tinham esquecido como era bom aquela amizade, como era forte e fizeram juras uma para a outra, que nada nem ninguém as ia separar, que iam ser o nada uma da outra, visto que nada dura para sempre.
E quando pensavam que estava tudo bem, a rapariga de olhos azuis apaixonou-se, começando a ignorar a de olhos escuros e dando atenção ao seu rapaz. Já não haviam mensagens de bons dias nem de boas noites, já não haviam amo-tes e gosto muito de ti, pois ela guardava essas palavras para o rapaz. E a rapariga de cabelos escuros ainda guarda a pulseira, para ter sempre presente na memória as alegrias do passado.

''Nada mais frágil que as amizades humanas, levam muitos anos a formarem-se e um momento basta para as desfazer''
p.s. 1 este texto é verídico.
p.s. 2 obrigada aos meus seguidores, já somos 100 na página do facebook

27 commentaires:

  1. Amo o texto +.+
    Sigo, segues o meu?

    RépondreSupprimer
  2. Obrigada (;
    O texto está lindo! É uma pena que tantas amizades sejam desfeitas, ou postas em stand-by, por causa de namoros !

    RépondreSupprimer
  3. não tens de quê fofinha :)

    RépondreSupprimer
  4. a amizade é uma coisa bastante fragil, um pequeno toque parte-se , mas pode ser reconstituida com o amor c:

    RépondreSupprimer
  5. Lindo, lindo, lindo.
    adorei

    RépondreSupprimer
  6. sim , mas nem sp , se amas uma pessoa e esse amor é , não sei muiiiiiiiiiiiiiiiiiito amor mas mesmo muito , ainda pode haver esperanças de tu sozinha conseguires mudar a tua e a vida dela c:

    RépondreSupprimer
  7. já passou tudo martinha :) amei o texto! já se passou uma coisa semelhante comigo :s

    RépondreSupprimer
  8. entre nós nem foi bem o problema de uma se ter apaixonado. apareceram amizades pelo meio que estragaram por completo tudo o que tínhamos, e apesar de já termos feito as pazes nada ficou igual ao que era :s

    RépondreSupprimer
  9. pois martinha. tens mesmo de falar com ela, para ver se as coisas melhoram. podem estar as duas magoadas sem razão nenhuma :)

    RépondreSupprimer
  10. mesmo por isso! tens de lhe explicar

    RépondreSupprimer
  11. a sério? então acho que tenho que ir ver o filme :p

    RépondreSupprimer
  12. infelizmente são estas grandes amizades que pufff lá se vão, já tive do mesmo -.-

    RépondreSupprimer
  13. Gostei do blog seguindo.

    RépondreSupprimer
  14. Olá, desculpe invadir seu espaço assim sem avisar. Meu nome é Nayara e cheguei até vc através do Blog Recomeçar. Bom, tanta ousadia minha é para convidar vc pra seguir um blog do meu amigo Fabrício, que eu acho super interessante, a Narroterapia. Sabe como é, né? Quem escreve precisa de outro alguém do outro lado. Além disso, sinceramente gostei do seu comentário e do comentário de outras pessoas. A Narroterapia está se aprimorando, e com os comentários sinceros podemos nos nortear melhor. Divulgar não é tb nenhuma heresia, haja vista que no meio literário isso faz diferença na distribuição de um livro. Muitos autores divulgam seu trabalho até na televisão. Escrever é possível, divulgar é preciso! (rs) Dei uma linda no seu texto, vou continuar passando por aqui...rs





    Narroterapia:

    Uma terapia pra quem gosta de escrever. Assim é a narroterapia. São narrativas de fatos e sentimentos. Palavras sem nome, tímidas, nunca saíram de dentro, sempre morreram na garganta. Palavras com almas de puta que pelo menos enrubescem como as prostitutas de Doistoéviski, certamente um alívio para o pensamento, o mais arisco dos animais.



    Espero que vc aceite meu convite e siga meu blog, será um prazer ver seu rosto ali.

    http://narroterapia.blogspot.com/

    RépondreSupprimer
  15. só queria que soubesses que este texto, está excelente. mesmo excelente. adorei. ou melhor, amei mesmo. não dá para explicar o quão tudo é verdadeiro. muitos, MUITOS parabéns!

    RépondreSupprimer
  16. adorei, li todo e identifiquei-me bastante, no meu caso continuamos juntas mas tenho medo que algum dia aconteça isso.
    lamento imenso que isso tenha acontecido.

    RépondreSupprimer
  17. pois isso provavelmente é verdade mas imagino que quem seja a deixada por trás deve sofrer imenso.

    RépondreSupprimer

''Utiliza palavras suaves e argumentos fortes''
Obrigada pela visita